O conto dos três irmãos - do livro Os contos de Beedle, o Bardo

O conto dos três irmãos

do livro Os contos de Beedle, o Bardo

por J.K.Rowling 08/07/2016 Contos O conto dos três irmãos - do livro Os contos de Beedle, o Bardo - J.K.Rowling
Tags: auto conhecimento, conto, escolhas

Era uma vez três irmãos que estavam viajando por uma estrada deserta e tortuosa ao anoitecer…

Depois de algum tempo, os irmãos chegaram a um rio fundo demais para vadear e perigoso demais para atravessar a nado. Os irmãos, porém, eram versados em magia, então simplesmente agitaram as mãos e fizeram aparecer uma ponte sobre as aguas traiçoeiras. Já estavam na metade da travessia quando viram o caminho bloqueado por um vulto encapuzado.

E a Morte falou. Estava zangada por terem lhe roubado três vítimas, porque o normal era os viajantes se afogarem no rio. Mas a Morte foi astuta. Fingiu cumprimentar os três irmãos por sua magia, e disse que cada um ganhara um prêmio por ter sido inteligente o bastante para lhe escapar.

Então, o irmão mais velho, que era um homem combativo, pediu a varinha mais poderosa que existisse: uma varinha que sempre vencesse os duelos para o seu dono, uma varinha digna de um bruxo que derrota a Morte! Ela atravessou a ponte e se dirigiu a um vetusto sabugueiro na margem do rio, fabricou uma varinha de um galho da árvore e entregou ao irmão mais velho.

Então, o segundo irmão, que era um homem arrogante, resolveu humilhar ainda mais a Morte e pediu o poder de restituir a vida aos que ela levara. Então a Morte apanhou uma pedra da margem do rio e entregou-a ao segundo irmão, dizendo-lhe que a pedra tinha o poder de ressuscitar os mortos.

Então, a Morte perguntou ao terceiro e mais moço dos irmãos o que queria. O mais moço era mais humilde e também o mais sábio dos irmãos, e não confiou na Morte. Pediu, então, algo que lhe permitisse sair daquele lugar sem ser seguido pela ela. E a Morte, de má vontade, lhe entregou a própria Capa da Invisibilidade.

Então, a Morte se afastou para um lado e deixou os três irmãos continuarem viagem e foi o que eles fizeram, comentando, assombrados, a aventura que tinham vivido e admirando os presentes da Morte.

No devido tempo, os irmãos se separaram, cada um tomou um destino diferente.

O primeiro irmão viajou uma semana ou mais e, ao chegar a uma aldeia distante, procurou um colega bruxo com quem tivera uma briga. Armado com a Varinha do Sabugueiro, a Varinha das Varinhas, ele não poderia deixar de vencer o duelo que se seguiu. Deixando o inimigo morto no chão, o irmão mais velho dirigiu-se a uma estalagem, onde se gabou, em altas vozes, da poderosa varinha que arrebatara da própria Morte, e de que a arma o tornava invencível.

Nessa mesma noite, outro bruxo aproximou-se, sorrateiramente, do irmão mais velho, enquanto dormia em sua cama, embriagado pelo vinho. O ladrão levou a varinha e, para se garantir, cortou o pescoço do irmão mais velho.

Assim, a Morte levou o primeiro irmão.

Entretanto, o segundo irmão viajou para própria casa, onde vivia sozinho. Ali, tomou a pedra que tinha o poder de ressuscitar os mortos, e virou-a três vezes na mão. Para seu surpresa e alegria, a figura de uma moça que tivera esperança de desposar, antes da sua morte precoce surgiu instantaneamente diante dele.

Contudo, ela estava triste e fria, como que separada dele por um véu. Embora tivesse retornado ao mundo dos mortais, seu lugar não era ali, e ela sofria. Diante disso, segundo irmão, enlouqueceu pelo desesperado desejo, matou-se para poder verdadeiramente se unir a ela.

E assim, a Morte levou o segundo irmão.

Embora a Morte procurasse durante muitos anos o terceiro irmão, jamais conseguiu encontra-lo. Somente quando atingiu uma idade avançada foi que o irmão mais novo despiu a capa da invisibilidade e deu-a de presente ao seu filho. Acolheu, então, a Morte como uma velha amiga, e acompanhou-a de bom grado e, iguais, partiram desta vida.

Ref. bibliográfica: Rowling, J.K – Os contos de Beedle, O Bardo – Ed. Rocco, 2008