Jorinda e Jorindo

Jorinda e Jorindo

por recolhido por Irmãos Grimm 18/06/2018 Contos Jorinda e Jorindo - recolhido por  Irmãos Grimm
Tags: contos, irmãos grimm, literatura, psicologiaanalitica, reflexões

Era uma vez um velho castelo situado bem ao centro de uma vasta e cerrada floresta. Ali morava sozinha, uma velha que era maestra em feitiços.
Durante o dia tomava a forma de um gato ou de uma coruja e, ao chegar a noite, recuperava o seu aspecto humano. Sabia atrair toda espécie de caça e aves, que depois ela matava , cozia e assava. Cada pessoa que se aproximava a cem passos do castelo ficava imobilizada, sem poder mover-se do lugar até que a bruxa aparecesse para libertá-la e, sempre que uma bela moça caía no círculo mágico, a velha a transformava num pássaro que metia numa gaiola e guardava em um sala do castelo. Tinha perto de sete mil gaiolas com essas aves raras.
Vivia, naquela época, uma jovem chamada Jorinda, muito linda , mais linda do que qualquer outra. Era noiva de um belo rapaz que tinha o nome de Jorindo. E, naturalmente, o que mais lhe agradava era estarem sempre juntos. Certa vez, para poderem conversar a sós, foram dar um passeio pela floresta.
– Cuidado! – disse Jorindo. – Não te aproximes muito do castelo.
Era um  belo entardecer. O sol brilhava por entre os ramos das árvores, banhando com sua luz o verde escuro da floresta e uma pombinha-rola cantava seus lamentos no alto de uma faia.
De repente, Jorinda começou a chorar e Jorindo a lamentar-se. Os dois se sentiram tomados de uma estranha angústia, como se estivessem pressentindo a morte. Olharam em redor, desconcertados. Não sabiam mais como voltar para casa. O sol se ocultava e só a metade do seu disco aparecia por trás de uma montanha, quando Jorindo, olhando o matagal, avistou o velho muro do castelo  a bem pouca distância. Aterrado, sentiu aumentar sua angústia, enquanto Jorinda  se punha a cantar:
Meu pássaro do anel vermelho
Canta o teu lamento…teu lamento…
Jorindo olhou para Jorinda. A moça se havia transformado num rouxinol e cantava agora como um pássaro. Uma coruja, de olhos de fogo, passou três vezes em vôo sobre sua cabeça, gritando cada vez: Chuh! Hu! Hu! Jorindo nõ mais conseguiu mover-se; estava petrificado, sem poder falar, nem mexer com as mãos ou os pés.
Naquele momento o sol desapareceu por completo. A coruja voou até um arbusto e, logo depois, saiu dali de perto uma velha encurvada, magra e macilenta. Tinha os olhos grandes, vermelhos , o nariz, curvo, tocava o queixo pontiagudo. Engrolou qualquer coisa, apanhou o rouxinol e levou-o pousado na sua mão. Jorindo não pode pronunciar uma palavra nem mover-se do lugar. O rouxinol desaparecera. Finalmente, a bruxa voltou e, com voz rouca, disse estas misteriosas palavras:
– Salve, Zaquiel! Quando a lua brilhar, desamarra-o, Zaquiel!
E Jorindo ficou livre do encantamento .Prostrando-se aos pés da velha, suplicou que lhe devolvesse a sua Jorinda. Mas a bruxa respondeu-lhe que ele jamais tornaria a vê-la, afastou-se. O jovem começou a chorar e a lamentar-se, mas tudo em vão. “Que será de mim?”soluçava ele. Finalmente , acabou indo embora daquele lugar. Um dia, chegou a uma aldeia desconhecida, onde ficou por muito tempo trabalhando como pastor de ovelhas. Seguidamente caminhava pelos arredores do castelo, mas sem aventurar-se a chegar perto dele.
Certa noite sonhou que havia encontrado uma flor vermelha como o sangue e que tinha no centro uma linda pérola de grande tamanho. Arrancou a flor e com ela se dirigiu ao castelo. Tudo o que tocava era, no mesmo instante, libertado do feitiço. Sonhou, também, que dessa maneira havia recuperado sua Jorinda.
Quando se levantou pela manhã , saiu a procurar por montes e vales, uma flor como a do seu sonho. Já estava procurando há nove dias quando, finalmente, de madrugada, deu com a flor vermelha como sangue, que tinha, bem ao centro, uma gota de orvalho do tamanho da mais linda pérola. Jorindo cortou-a e com ela se dirigiu para o castelo. Quando chegou a cem passos dele, não ficou imobilizado e pode continuar andando até o portão. Contentíssimo, tocou-o com a flor e ele se abriu repentinamente. atravessou o pátio, prestando ouvido para localizar onde  estavam as aves. Por fim, depois de algum tempo, ouviu o seu canto. Entrou na sala e viu a bruxa alimentando os pássaros encerrados nas sete mil gaiolas. Quando a velha avistou Jorindo, ficou furiosa a pôs-se a insultá-lo. Cuspia veneno, mas não conseguiu aproximar-se dele mais que dois passos. O jovem , sem fazer caso da bruxa, foi às gaiolas que continham os pássaros. Entretanto, diante de centenas de rouxinóis, como reconhecer sua Jorinda? Enquanto continuava a procurar, notou  que a velha retirava, furtivamente, uma das gaiolas e se encaminhava para a porta. Precipitou-se sobre a bruxa e tocou com a flor a velha e a gaiola. Nesse instante, findou todo o seu poder de bruxaria e Jorinda reapareceu diante dele, tão formosa como antes e atirou-se em seus braços. A seguir. o jovem libertou todas as outras moças transformadas em aves. Isto feito, regressou para casa com sua Jorinda e, durante muitos e muitos anos, viveram na mais completa felicidade.

Esta versão foi retirada:http://contosdatita.blogspot.com/2015/09/jorinda-e-jorindo-contos-de-grimm.html, em 18/6/2018