Começando a conversar…

Começando a conversar…

por Stella Maximo 12/02/2015 Crônicas Começando a conversar… - Stella Maximo

Quando recebi o convite para inaugurar esta coluna, me senti muito motivada e igualmente receosa pela responsabilidade de escrever sobre dois temas: Mulher e Carreira – tão grandiosos quando abordados separadamente, imaginem juntos, como estão aqui.

Como adoro um desafio, comecei a pensar por onde iniciar…Bateu angústia!

Nesses momentos, costumo respirar fundo, pois, com o tempo, aprendi que muitas vezes é melhor abandonar teorias, verdades, definições, ansiedades, cobranças e, definitivamente, acreditar que algo virá. É uma quietude atenta a sinais.

Desta vez, não demorou nem um dia: lendo meu twitter, minha atenção foi para o discurso que Emma Watson fez na ONU, setembro passado.

Atualmente, ela é a Embaixadora da Boa Vontade e lançou uma campanha chamada “ElePorEla” (HeForShe), com o intuito de inspirar homens e jovens a se tornarem defensores de mudanças que acabem com a desigualdade entre os sexos. ( colocar link)

Foi mesmo um lindo discurso, em que a jovem atriz britânica aponta questões importantes e sensíveis que não se esgotam, exigindo lapidação, novas perspectivas e profundidade, trazendo mais consciência a todos nós.

Muitos pontos me tocaram, mas aqui quero compartilhar um trecho em especial, quando, finalizando seu discurso, Emma Watson destaca:

“Em meu nervosismo por esse discurso e em meus momentos de dúvida, eu falei firmemente a mim mesma: Se não eu, quem? Se não agora, quando? Se você tem dúvidas parecidas quando as oportunidades surgem para você, espero que essas palavras o ajudem”

Essas palavras tão vivas e intensas, carregadas de dignidade, firmeza e autenticidade, ficaram comigo por um bom tempo. Com elas, Emma parece querer nos alertar sobre a necessidade de nos enraizarmos no presente, no aqui e agora, voltando-nos para dentro, atentos às nossas necessidades e desejos.

No entanto, em meu consultório, vejo o quanto esse movimento é difícil, tanto no que diz respeito a questões e situações muito simples, até as mais complexas.

Sem dúvida, com a correria do cotidiano, com a pressão dos grandes centros e a exigência na escalada para os resultados e sucesso, tudo isso se torna um grande desafio. Nossos automatismos acabam por mover o “centro” para fora de nós, colocando-o em obstáculos: falta de tempo, de dinheiro, dificuldades na carreira, no trabalho, com o chefe, o marido… só para citar alguns mais conhecidos. E, assim, sonhos e desejos ficam projetados apenas nos filmes e nas novelas…

Como é fácil colocar o centro fora de nós, como é difícil mantê-lo em nós. Como é fácil ficarmos no passado ou no futuro, como é difícil nos mantermos no aqui e agora.

Entendo o quanto é importante tomarmos consciência desses padrões que alteram as perspectivas com as quais vemos as situações, os problemas e as dificuldades, seja no trabalho ou na vida de um modo geral.

Quando o olhar está no presente, ganhamos uma perspectiva mais objetiva da situação, traçando contornos mais claros, mais pontuais e, com isso, corremos menos riscos de escapar para outra situação.

E, quando nos mantemos em nosso centro, ganhamos estabilidade, a referência ganha individualidade e não mais individualismo. O compromisso permanece dentro de nós, a responsabilidade se desenha a partir de nós, e assim escampamos da armadilhada de esperar pelo outro para a nossa realização pessoal ou culpar o outro por não tê-la alcançado.

Como bem mencionou Emma Watson, temos aí a possibilidade de, frente às incertezas, dúvidas, dificuldades, aprendermos a contar firmemente, e em primeiro lugar, com nós mesmos.

Então, vamos começar por responder a essas perguntas: “Se não eu, quem? Se não agora, quando?”.

Primavera/2014